|
|
|
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
|
|
|
Esta pauta venceu a urna de 30/09.
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
Tiago 1.5: O Deus que Dá sem Humilhar
Tiago descreve um doador sem segunda intenção, o oposto do benfeitor que Ben Sira retratou
|
Uma folha aberta, sem dobra
|
| ▼ |
| |
|
“E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” Assim a Almeida Revista e Corrigida traduz Tiago 1.5. Tiago, irmão de Jesus e líder da igreja de Jerusalém, escreveu a carta na metade do século I, e a frase ainda serve a quem tem vergonha de pedir ajuda. Pense na última vez que você precisou pedir dinheiro emprestado a um parente. O valor saiu, a conta foi paga, e o assunto parecia encerrado. Até o almoço de domingo, quando o parente contou a história na mesa, diante da família inteira. O favor virou dívida de outra espécie. Você devolveu o dinheiro em três meses, mas a lembrança continua sendo cobrada a cada encontro, com juros de olhar torto e de comentário solto. Muita gente aprende cedo essa lição e passa a evitar pedir. Prefere errar sozinha a ouvir depois, em voz alta, quanto custou a ajuda. O orgulho entra na conta, mas o medo maior é o da humilhação futura. Tiago conhecia esse medo. Os leitores dele eram judeus cristãos espalhados fora da terra de Israel, pobres em boa parte, passando pelas várias provações que a própria carta menciona. Precisavam de sabedoria e tinham motivo de sobra para hesitar antes de pedir. Um livro que esses leitores conheciam descrevia o benfeitor que todo mundo teme. Jesus ben Sira, escriba de Jerusalém, retratou em torno de 180 antes de Cristo o homem que dá pouco, humilha muito e abre a boca como pregoeiro. Tiago responde com o retrato oposto. Deus dá a todos, dá sem dobra e não joga o favor na cara de ninguém. A promessa do verso tira do pedido o medo do almoço de domingo. A faixa I mostra a palavra grega que Tiago usa para esse dar, o verbo que ele compartilha com Ben Sira e o que os dois juntos dizem sobre o jeito de Deus atender. Continue lendo ↓
| |
|
I A Palavra
A folha aberta sobre a mesa
|
|
Pegue uma folha de papel e dobre ao meio. Agora ela tem dois lados que se escondem um do outro. Dobre de novo, e cabe algo dentro. Uma folha lisa, aberta sobre a mesa, não guarda nada, e quem olha vê tudo de uma vez. Tiago usa uma palavra nascida dessa imagem. Quando diz que Deus dá liberalmente, o grego traz haplōs (com simplicidade, sem dobra). O advérbio vem de haplous, o adjetivo para o que é simples, feito de uma só camada. O oposto em grego é diplous (dobrado, duplo). Um objeto haplous não tem forro nem fundo falso. Aplicado a quem dá, o termo descreve um presente sem intenção escondida dentro, sem conta guardada para cobrar depois. Haplōs aparece uma única vez no Novo Testamento, justamente aqui. As palavras da mesma família voltam em Paulo. Em Romanos 12.8, quem reparte deve fazê-lo com haplotēs (simplicidade, generosidade sem cálculo), a mesma raiz usada por Tiago. Três versos adiante, a carta mostra o avesso. Tiago 1.8 chama o homem que duvida de dipsychos (de alma dupla, dividido em dois). O verso 6 compara esse homem à onda do mar, levada pelo vento. Deus dá sem dobra; a dobra que atrapalha está em quem pede. A segunda metade do verso usa outro verbo. A expressão mē oneidizontos (sem lançar em rosto) vem de oneidizō, que significa humilhar alguém lembrando um favor ou uma falha. É o gesto exato do parente no almoço de domingo. Aqui entra Ben Sira. Na tradução grega do livro, feita pelo neto do autor no Egito depois de 132 antes de Cristo, Eclesiástico 20.15 descreve o tolo que dá pouco e lança em rosto muito. O verbo grego é o mesmo oneidizō. O versículo segue com o retrato completo. Esse homem abre a boca como um pregoeiro, hoje empresta e amanhã pede de volta. Ben Sira termina a cena dizendo que gente assim é odiosa diante de Deus e dos homens. Tiago escrevia para judeus que liam as Escrituras em grego, e Eclesiástico circulava nessa mesma língua. Ao escolher o verbo de Ben Sira para dizer o que Deus não faz, ele punha o leitor diante de dois doadores, um com dobra e outro sem. O próprio Ben Sira sabia o remédio. Em 41.22, entre as atitudes de que alguém deve se envergonhar, ele lista humilhar o amigo depois de lhe dar um presente. Tiago pega a regra que o sábio ensinava ao homem e a mostra cumprida em Deus. O verso termina sem condição de mérito: e ser-lhe-á dada. A promessa não pede currículo de quem pede, só o pedido. A sabedoria chega inteira, sem dobra, e chega sem recibo para ser lido em voz alta depois.
|
|
II Aplicação Prática
Pedir sem medo da conta
|
|
Pense na decisão que você está adiando por falta de clareza. Uma conversa difícil com um filho, uma oferta de emprego em outra cidade, um diagnóstico com dois tratamentos possíveis. Você sabe que precisa de sabedoria e ainda não pediu. Muita gente trava aqui pelo motivo do almoço de domingo. Pedir a Deus parece expor a falha, e a pessoa imagina que a resposta virá com sermão embutido. Tiago 1.5 corta a suspeita pela raiz: quem dá não lança em rosto. A primeira aplicação, então, é pedir de modo direto. O verso não exige fórmula, linguagem bonita ou prova de que você tentou tudo antes. Pede a sabedoria que falta, com a mesma simplicidade com que Deus dá. A segunda aplicação vira o verso para o outro lado. Quem recebe sem dobra aprende a dar sem dobra. O teste é simples: depois de ajudar alguém, você conta a história para terceiros? Se conta, a ajuda ganhou uma dobra. Sêneca, filósofo romano contemporâneo de Tiago, escreveu em Sobre os Benefícios, obra dos anos 50 e 60 do século I: “Quem deu o benefício, cale-se; quem o recebeu, conte.” A regra do estoico e a de Tiago pedem a mesma boca fechada. Quatro passos, 15 minutos somados, põem o verso em prática. 1. Primeiro passo, 3 minutos. Escreva numa folha a decisão que pede sabedoria, numa linha só, sem justificativa. 2. Segundo passo, 5 minutos. Faça o pedido a Deus em voz baixa, com as palavras da folha, sem prometer nada em troca. 3. Terceiro passo, 5 minutos. Anote o nome de alguém a quem você ajudou e de quem já cobrou o favor, mesmo de brincadeira. 4. Quarto passo, 2 minutos. Decida não mencionar aquela ajuda de novo, nem para a pessoa, nem para outros. O primeiro erro é esperar merecer antes de pedir. O verso diz que Deus dá a todos, e a palavra todos não tem filtro de mérito. Quem espera ficar pronto para pedir sabedoria continua decidindo sem ela. O segundo erro é transformar o perdão da cobrança em nova cobrança. Dizer à pessoa que você nunca mais vai tocar no assunto já é tocar no assunto. A ajuda sem dobra simplesmente some da conversa. O terceiro erro é confundir dar sem dobra com dar sem limite. Ben Sira critica quem dá pouco e fala muito, e não quem dá com medida. Dar haplōs pede coração inteiro, e o tamanho do presente segue o que você tem.
|
|