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Dakka' é um adjetivo curto, de três consoantes, ligado ao verbo daka'. O verbo não significa machucar de modo genérico. Significa esmagar, pisar, reduzir a partículas.
O campo semântico é de oficina e de estrada. O que sofre daka' vira poeira, e poeira não se remonta.
O Salmo 34:18 usa dakka' num par. A primeira metade da frase fala dos nishberei lev, os quebrados de coração, do verbo shavar, que é o verbo do osso partido e do vaso em cacos.
A segunda metade fala dos dakkeei ruach, os moídos de espírito. O hebraico coloca as duas imagens lado a lado de propósito, e a ordem importa: primeiro o que rachou, depois o que virou pó.
Quem lê rápido acha que a segunda linha repete a primeira com outras palavras. O paralelismo hebraico raramente repete. Ele intensifica.
Um osso quebrado ainda é um osso. Um vaso em cacos ainda mostra o formato que tinha. Farinha não mostra nada.
O verso desce um degrau na segunda metade, e o degrau é justamente o lugar onde a maioria das pessoas acha que Deus perdeu o interesse.
Vale ver onde mais a palavra aparece. O Salmo 90:3 usa dakka para o destino do corpo humano: fazes voltar o homem até dakka, até o pó.
Não é figura de linguagem sobre humor triste. É o vocabulário do fim do material, do que sobra quando o resto se desfaz.
Isaías 57:15 faz a jogada mais estranha da Bíblia hebraica com a mesma palavra. Diz que o Altíssimo, que habita a eternidade e mora no lugar alto e santo, mora também com o dakka e o abatido de espírito.
Duas moradas na mesma frase, e nenhuma delas é intermediária. O ponto mais alto e o pó. Nada entre os dois.
A raiz também aparece no capítulo 53 de Isaías, no servo que é medukka pelas nossas iniquidades. O verbo é o mesmo do moinho, aplicado a uma pessoa.
Guardada essa cadeia, o Salmo 34:18 muda de tom. Ele não está oferecendo alívio para desconforto. Está descrevendo onde Deus escolheu morar.
Falta a segunda palavra do verso, e ela é tão concreta quanto a primeira. Qarov, perto.
Qarov é a raiz de qorban, a oferta que se traz até o altar, e de goel, o parente resgatador que precisa estar próximo o bastante para agir. É palavra de proximidade com consequência prática.
Levítico 21 usa a mesma família para o parente carnal, aquele que pode se aproximar do corpo do morto sem quebrar a lei do sacerdócio. Proximidade ali é permissão de encostar.
O Salmo 34:18 não diz que Deus se compadece à distância. Diz que Deus é qarov, está a poucos passos, do lado de quem virou pó.
E o verbo que fecha o verso é yoshia, salva, da mesma raiz do nome Josué. Salvar no hebraico é tirar do aperto, dar espaço a quem estava encurralado.
O verso inteiro, então, é um endereço, uma distância e uma ação: o pó, os poucos passos, a retirada do aperto.
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