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A raiz é חדד, chadad, três consoantes que descrevem um estado antes de descrever um trabalho: ficar agudo, ter gume, terminar em ponta.
O adjetivo da família é חַד, chad, afiado. Isaías 49:2 o usa na frase em que o servo diz que a sua boca foi feita como espada afiada, e o alvo da imagem é a precisão do corte.
Em Provérbios 27:17 a forma verbal aparece duas vezes, יַחַד, yachad, e ela é o motivo de o versículo ter atravessado séculos com leitura instável.
O hebraico tem outra palavra, de outra raiz, escrita com as mesmas letras: yachad, junto, em conjunto. Duas famílias diferentes chegando à mesma grafia.
O leitor apressado vê dois amigos lado a lado. O texto está falando de duas lâminas em atrito.
A tradução grega antiga não hesitou. Ela verteu o primeiro verbo por ὀξύνει, oxynei, aguça, o segundo por παροξύνει, paroxynei, aguça contra, e manteve o objeto que o hebraico dá.
O outro endereço do verbo decide o tom. Ezequiel 21 abre um oráculo com a palavra repetida, espada, espada, e o verbo no passivo: הוּחַדָּה, huchadah, foi afiada. A forma volta mais de uma vez no mesmo oráculo, sempre na voz passiva.
E ela nunca vem sozinha ali. A espada foi afiada e também polida, e o texto dá a função de cada operação: o gume para cortar, o polimento para relampejar.
Habacuque 1:8 fecha o mapa fora do campo militar e com a mesma dureza. Os cavalos do invasor são mais velozes que os leopardos e mais agudos, chaddu, que os lobos da tarde.
Fora desses endereços o verbo quase não aparece. A carreira inteira dele é feita de lâmina preparada e de predador com fome, e é essa palavra que Provérbios escolhe para falar de amizade.
O primeiro substantivo da frase também tem história. בַּרְזֶל, barzel, ferro, é palavra emprestada, prima do acádio parzillu, e entra no vocabulário junto com o metal que chega ao Levante por volta de 1200 a.C.
O provérbio tinha a opção de dizer ferro com pedra. A pedra de amolar existia e fazia o serviço. Ele diz ferro com ferro, dois pedaços da mesma dureza, e a escolha do material é metade da frase.
A outra metade é o objeto, e é a parte que as revisões modernas deixam cair. O hebraico escreve פְּנֵי רֵעֵהוּ, penei re'ehu, o rosto do seu companheiro.
As Almeidas antigas guardaram o rosto. As versões mais lidas hoje entregam assim o homem afia o seu companheiro, e a face sai da frase.
פָּנִים, panim, é um substantivo que o hebraico só conhece no plural, formado sobre a raiz פנה, panah, virar.
Some as três peças e o provérbio muda de tamanho. O material é o mesmo dos dois lados. O verbo é o da lâmina preparada para o combate. E o que sai afiado é o rosto do amigo, não a ferramenta na mão dele.
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