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Pense em alguém que você ainda ama e que falhou feio com você. Um cônjuge que mentiu, um filho que sumiu com o dinheiro, um irmão que tomou o lado errado numa briga de família. A ferida tem data, e você lembra dela. O verso 1 não pede que você sinta carinho pela pessoa amanhã cedo. Ele trata o amor como ordem, e ordem se cumpre por ato. O sentimento pode chegar depois do gesto, ou demorar anos, e o texto não condiciona o gesto ao sentimento. Repare no que Oseias fez antes de qualquer conversa. Ele pagou. O primeiro passo do amor no capítulo 3 é uma despesa concreta, com valor e moeda, feita em favor de quem não tinha como devolver. Também repare no que ele não fez. Não fingiu que a traição não aconteceu. O verso 3 traz a condição: muitos dias ficarás comigo, sem pertencer a outro homem. O amor de Oseias paga o resgate e também põe limite. Amar quem feriu, portanto, junta dois movimentos. Um é gastar algo seu pela pessoa. O outro é dizer com clareza o que precisa mudar. Quem faz só o primeiro vira cúmplice; quem faz só o segundo vira juiz. Três passos, vinte minutos somados, ajudam a pôr o verso no chão. 1. Primeiro passo, cinco minutos. Escreva numa folha o nome de uma pessoa que você ama e que te feriu. Uma linha, com o que ela fez e quando. 2. Segundo passo, dez minutos. Escolha uma despesa pequena e real em favor dela: uma hora do seu sábado, uma refeição paga, uma conta quitada, uma visita. Anote o valor ou o tempo junto do nome. 3. Terceiro passo, cinco minutos. Escreva uma frase curta com o limite que acompanha o gesto, do jeito do verso 3. Exemplo: “Vou te ajudar com o aluguel deste mês, e quero que a gente converse sobre o dinheiro que sumiu.” O primeiro erro é esperar o sentimento voltar para agir. Oseias recebeu a ordem e saiu no mesmo verso. Quem espera vontade para amar quem feriu costuma esperar até a ferida virar muro. O segundo erro é pagar caro demais logo de saída. O profeta pagou o que tinha, prata e cevada, e parou ali. Um gesto pequeno e repetido diz mais que um sacrifício enorme feito uma vez, sob raiva engolida. O terceiro erro é usar o gesto como moeda de troca. Oseias não cobrou a prata de volta de Gômer. A despesa é presente, e o limite do passo 3 é cuidado com a relação, nunca cobrança da dívida. O papel com nome, gesto e frase faz o papel do recibo do verso 2. Ele lembra que o amor desta semana já tem preço anotado, e que o preço foi pago antes de qualquer resposta.
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