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Oseias 3.1: O Amor que Custou 15 Peças de Prata

Deus manda o profeta amar de novo a mulher que o traiu, e o verso seguinte mostra o recibo

Mão contando quinze moedas de prata junto a um saco de cevada

A prata e a cevada do resgate de Gômer

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“E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem os bolos de uvas.” Assim a Almeida Revista e Corrigida traduz Oseias 3.1.

O profeta Oseias registrou a ordem no reino do norte, em torno de 750 antes de Cristo, e ela ainda fala com quem precisa amar alguém sem crédito.

Pense num casamento que acabou por traição. A mulher saiu de casa, foi viver com outro homem, e a vizinhança inteira sabe. O marido tem razão, tem testemunhas e tem a lei a favor dele. Ninguém cobraria dele um passo de volta.

Agora imagine que a ordem chega justo nesse ponto. Ele não recebe um conselho para perdoar quando estiver pronto. Recebe um mandamento para sair de casa, atravessar a cidade e trazer de volta a mulher que o deixou.

Oseias viveu essa cena. O livro conta que ele se casou com Gômer, filha de Diblaim, e teve três filhos com ela. Depois a perdeu. O texto não narra cada passo da queda e deixa só o resultado: ela estava com outro homem.

No verso 2, o profeta faz as contas em voz alta. Pagou quinze peças de prata e um ômer e meio de cevada. Uma parte em metal, outra em grão, como quem raspa o que tem em casa para completar o valor.

Cevada era o pão dos pobres em Israel, mais barata que o trigo. Um homem que paga parte do preço em cereal mostra ao leitor que a prata não bastou. O amor desta história tem recibo, e o recibo diz quanto custou.

A ordem do verso 1 cabe numa palavra hebraica de três letras. Ela não pede sentimento, não espera a mulher mudar e não pergunta se o marido quer. Ela manda, e o profeta obedece com a bolsa aberta.

A faixa I mostra que palavra é essa, por que ela vem em forma de ordem e o que a prata e a cevada dizem sobre o jeito de Deus amar Israel.

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I  A Palavra

A ordem que chega antes do sentimento

 

A palavra do verso 1 é ehav (ama). Vem do verbo ahav (amar), o mais comum para amor na Bíblia hebraica. É o verbo de Isaque por Rebeca, em Gênesis 24.67, e de Jacó por Raquel, em Gênesis 29.18.

Ehav está no imperativo, a forma que dá ordem direta, a mesma que manda alguém ir, sentar ou ouvir. Deus não sugere a Oseias que tente gostar de novo. Ele dá um comando, e comando se cumpre com os pés.

O verbo aparece quatro vezes num verso só. O profeta deve amar; a mulher é amada por outro; o Senhor ama Israel; e Israel ama os bolos de uvas. Quatro amores numa frase, e só um deles se mantém fiel.

Os bolos de uvas eram tortas de uva seca prensada, comidas nas festas da colheita. Os comentaristas ligam o detalhe aos cultos cananeus da fertilidade. O povo trocava o Deus da aliança por uma festa doce em honra de outros deuses.

A abertura do verso traz a palavra od (outra vez, de novo). Ela indica volta a algo que já existiu. Na leitura mais aceita, a mulher do capítulo 3 é a mesma Gômer do capítulo 1, a esposa que saiu.

Francis Andersen e David Noel Freedman defendem essa leitura no comentário Hosea, da coleção Anchor Bible, publicado em 1980. Para eles, o capítulo 3 retoma o mesmo casamento, agora do ponto de vista do marido que paga para tê-la de volta.

O verso 2 abre com o verbo karah (negociar uma compra). O profeta não toma a mulher à força nem a recebe de graça. Ele entra numa negociação com quem a detinha e paga o preço combinado.

O texto não explica a situação de Gômer naquele momento. Ela pode ter virado escrava por dívida, concubina de outro homem ou serva num santuário. Os estudiosos divergem, e o livro não traz dado que resolva a dúvida.

O preço também guarda uma pista. Êxodo 21.32 fixa trinta siclos de prata como indenização pelo escravo atingido por um boi. Muitos leitores somam a cevada às quinze peças e chegam perto desse valor, mas o texto não faz a conta.

Uma leitura fica firme mesmo sem a conta exata. Oseias pagou em duas moedas porque uma só não alcançava. O amor do verso 1 precisou de prata, de grão e de uma viagem até a casa de outro homem.

Deus explica a cena no próprio verso: assim o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses. Ele se mantém pela aliança que firmou, e o mérito da outra parte nem entra na conta.

 
 
 
 

II  Aplicação Prática

O preço pago por quem ficou

 

Pense em alguém que você ainda ama e que falhou feio com você. Um cônjuge que mentiu, um filho que sumiu com o dinheiro, um irmão que tomou o lado errado numa briga de família. A ferida tem data, e você lembra dela.

O verso 1 não pede que você sinta carinho pela pessoa amanhã cedo. Ele trata o amor como ordem, e ordem se cumpre por ato. O sentimento pode chegar depois do gesto, ou demorar anos, e o texto não condiciona o gesto ao sentimento.

Repare no que Oseias fez antes de qualquer conversa. Ele pagou. O primeiro passo do amor no capítulo 3 é uma despesa concreta, com valor e moeda, feita em favor de quem não tinha como devolver.

Também repare no que ele não fez. Não fingiu que a traição não aconteceu. O verso 3 traz a condição: muitos dias ficarás comigo, sem pertencer a outro homem. O amor de Oseias paga o resgate e também põe limite.

Amar quem feriu, portanto, junta dois movimentos. Um é gastar algo seu pela pessoa. O outro é dizer com clareza o que precisa mudar. Quem faz só o primeiro vira cúmplice; quem faz só o segundo vira juiz.

Três passos, vinte minutos somados, ajudam a pôr o verso no chão.

1. Primeiro passo, cinco minutos. Escreva numa folha o nome de uma pessoa que você ama e que te feriu. Uma linha, com o que ela fez e quando.

2. Segundo passo, dez minutos. Escolha uma despesa pequena e real em favor dela: uma hora do seu sábado, uma refeição paga, uma conta quitada, uma visita. Anote o valor ou o tempo junto do nome.

3. Terceiro passo, cinco minutos. Escreva uma frase curta com o limite que acompanha o gesto, do jeito do verso 3. Exemplo: “Vou te ajudar com o aluguel deste mês, e quero que a gente converse sobre o dinheiro que sumiu.”

O primeiro erro é esperar o sentimento voltar para agir. Oseias recebeu a ordem e saiu no mesmo verso. Quem espera vontade para amar quem feriu costuma esperar até a ferida virar muro.

O segundo erro é pagar caro demais logo de saída. O profeta pagou o que tinha, prata e cevada, e parou ali. Um gesto pequeno e repetido diz mais que um sacrifício enorme feito uma vez, sob raiva engolida.

O terceiro erro é usar o gesto como moeda de troca. Oseias não cobrou a prata de volta de Gômer. A despesa é presente, e o limite do passo 3 é cuidado com a relação, nunca cobrança da dívida.

O papel com nome, gesto e frase faz o papel do recibo do verso 2. Ele lembra que o amor desta semana já tem preço anotado, e que o preço foi pago antes de qualquer resposta.

 
 
 
 
 

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III  Reflexão

A espera depois do resgate

 

O capítulo 3 não termina na compra. No verso 3, Oseias diz a Gômer que ela ficará com ele muitos dias, sem outro homem, e completa: assim também eu esperarei por ti. O marido que pagou também aceita esperar.

O verso 4 aplica a cena a Israel. O povo ficaria muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício e sem os objetos dos ídolos. Seria um tempo de casa vazia, para tirar do coração os outros amores.

O verso 5 traz a virada: depois os filhos de Israel voltarão e buscarão o Senhor, seu Deus, e virão tremendo ao Senhor e à sua bondade, nos últimos dias. A espera tem fim prometido, mas sem data marcada.

E Gômer? O livro de Oseias não conta como o casamento terminou. Depois do capítulo 3, ela não aparece mais pelo nome, e nenhuma outra fonte antiga fala dela. O leitor sabe do preço pago e da espera, e o resto ficou fora do texto.

O silêncio combina com a mensagem. O livro não registra se a mulher correspondeu, porque o amor da ordem não dependia da resposta dela. Oseias amou porque recebeu o mandamento, e Deus ama Israel porque firmou a aliança.

O filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard escreveu sobre essa base em As Obras do Amor, de 1847: “Somente quando amar é um dever, o amor fica para sempre assegurado.” Para ele, o amor que nasce só de gosto muda com o gosto.

A frase ajuda a ler Oseias. Um amor sustentado pela vontade some no dia em que a outra pessoa trai. Um amor sustentado pela ordem continua de pé nesse dia, e paga o preço com o que houver em casa.

Para quem lê o verso hoje, a boa notícia está do outro lado da balança. Antes de ser o marido que paga, todo leitor esteve no lugar de Gômer, comprado de volta sem mérito para apresentar.

Quem você está esperando que mereça o seu amor antes de pagar o primeiro preço?

Hoje, até as 22 horas: faça um gesto concreto de custo pequeno, um só, pela pessoa que você escreveu no papel, e anote junto do nome o que pagou.

 
 
 
 
 
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Quiz da edição

Além da prata, com o que Oseias completou o pagamento pela esposa no verso 2?

AUm ômer e meio de trigo
BDuas jarras de azeite
CUm ômer e meio de cevada
DVinho de uva

Resultado da última edição: 9 de 9 acertaram.

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