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ED 187
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Neemias 4.17: A Arma Na Outra Mão

Os pedreiros de Jerusalém carregavam pedra com uma das mãos e o dardo com a outra, e o muro ficou pronto em 52 dias

Mão de pedreiro com pedra e dardo ao pé do muro

O canteiro armado do muro de Jerusalém

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“Os que edificavam o muro, e os que traziam as cargas, e os que carregavam, cada um com uma mão fazia a obra e na outra tinha as armas.” Assim a Almeida Revista e Corrigida, revisão de 1898 da tradução de João Ferreira de Almeida, traduz Neemias 4.17.

A frase descreve um canteiro de obras de 2.500 anos atrás, e ainda serve a quem precisa terminar um trabalho enquanto alguém torce, cobra ou ameaça para que ele não fique pronto.

O cenário é Jerusalém por volta de 445 antes de Cristo. A cidade tinha sido arrasada pelos babilônios em 586, e os muros continuavam no chão quase um século e meio depois, com as portas queimadas.

Neemias, copeiro do rei persa Artaxerxes I, ouviu a notícia em Susã, chorou, jejuou e pediu licença ao rei para reconstruir a cidade dos seus pais. Recebeu cartas, madeira das florestas reais e o cargo de governador.

Chegando a Jerusalém, ele percorreu as ruínas de noite, montado, sem contar a ninguém o plano. Depois reuniu os sacerdotes, os nobres e os chefes de família e dividiu o muro em trechos, cada família cuidando da parte em frente à própria casa.

A obra começou e logo apareceram os inimigos. Sambalate, governador de Samaria, e Tobias, o amonita, primeiro zombaram. Diziam que, se uma raposa subisse naquelas pedras, o muro cairia.

Quando o muro chegou à metade da altura, a zombaria virou conspiração. Árabes, amonitas e o povo de Asdode combinaram atacar de surpresa. E os próprios judeus que moravam perto dos inimigos vieram avisar dez vezes que o ataque estava a caminho.

Neemias não mandou parar a obra. Armou as famílias atrás dos trechos mais baixos, com espadas, lanças e arcos, e reorganizou o trabalho. O versículo de hoje é a fotografia desse novo canteiro.

O resultado está em Neemias 6.15: o muro ficou pronto no dia 25 do mês de elul (o sexto mês do calendário judaico, entre agosto e setembro), em 52 dias.

A faixa I abre a palavra hebraica que o versículo usa para a arma e mostra por que ela pesa tanto quanto a pedra.

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I  A Palavra

O dardo na mão livre

 

Imagine um homem equilibrando uma pedra de calcário no ombro, subindo uma rampa de terra. A mão direita segura a carga. A esquerda não está vazia: aperta uma haste curta de madeira com ponta de ferro. Neemias 4.17 descreve centenas de homens assim.

A palavra que a Almeida traduz por “armas” é šelaḥ (arma de arremesso, dardo). Não é a espada pesada do soldado de linha. É uma lança curta, leve o bastante para caber numa mão só e ser atirada sem largar o trabalho.

A raiz é šālaḥ (enviar, estender, mandar para longe). É o mesmo verbo que o livro usa quando Sambalate “envia” cartas e mensageiros para atrair Neemias. A arma, pelo próprio nome, é algo que se lança para fora.

O versículo divide o povo em três grupos. Os que edificavam, os que traziam as cargas e os que carregavam. Para os dois últimos, que tinham uma mão livre, o texto põe a obra numa e o dardo na outra.

Para os pedreiros a regra muda. O versículo seguinte, Neemias 4.18, diz que cada edificador trazia a espada cingida aos lombos (amarrada na cintura). Quem precisava das duas mãos para assentar pedra levava a arma presa ao corpo.

A frase hebraica do versículo 17 é econômica: bĕʾaḥat yādô ʿōśeh bammĕlāʾkāh (com uma das suas mãos faz a obra). A palavra mĕlāʾkāh (trabalho, ofício) é a mesma que Gênesis 2.2 usa para a obra da criação, que Deus terminou no sétimo dia.

O texto põe lado a lado duas palavras de peso. A obra, com o termo do ofício e da criação. A arma, com o termo de lançar para longe. Uma mão constrói para dentro, a outra protege para fora.

Neemias ainda montou um sistema de alarme. Um homem com a trombeta ficava ao lado dele, e o combinado, em 4.20, era simples: onde soasse o toque, todos corriam para aquele trecho. O muro era longo e as famílias estavam espalhadas.

E o descanso? O versículo 23 responde: nem Neemias, nem os irmãos, nem os moços, nem a guarda tiravam a roupa à noite. Cada um ia buscar água com a arma ao alcance. O canteiro funcionava do amanhecer até o surgir das estrelas.

 
 
 
 

II  Aplicação Prática

Uma mão para a obra

 

Quase todo projeto importante encontra resistência no meio. No começo há entusiasmo, no fim há a linha de chegada à vista. É na metade da altura, como em Neemias 4.6, que a zombaria vira ataque e o cansaço aparece.

A resposta de Neemias tem duas metades, e o versículo de hoje mostra as duas. Ele não abandonou a obra para lutar, e também não fingiu que o perigo era invenção. Manteve o trabalho de pé e a defesa pronta ao mesmo tempo.

Muita gente erra por um dos lados. Uns largam o projeto para responder a cada crítica, e a obra para. Outros ignoram o risco real, e a obra cai no primeiro ataque. Neemias 4.17 recusa as duas saídas.

Charles Spurgeon, pregador batista de Londres, deu a esse retrato o nome de uma revista. Em 1865 ele fundou “The Sword and the Trowel” (A Espada e a Colher de Pedreiro), tirando o título deste capítulo de Neemias.

A primeira aplicação é nomear a obra. O pedreiro sabia exatamente qual trecho era dele, o que ficava em frente à casa da própria família. Projeto sem trecho definido se dissolve na primeira ameaça.

A segunda aplicação é nomear o dardo. A arma de Neemias era concreta: dardo, espada, trombeta. Proteção vaga, como “vou tomar cuidado”, não segura nada. Proteção concreta é um horário bloqueado, uma conversa marcada, uma pessoa avisada.

A terceira aplicação é combinar o toque da trombeta. Ninguém defende sozinho um muro inteiro. Escolha uma pessoa que saiba do projeto e que você possa chamar quando a pressão apertar.

Três passos, 20 minutos somados, põem o versículo em prática.

1. Primeiro passo, 5 minutos. Escreva numa folha a obra que você quer terminar e o trecho que cabe a você esta semana.

2. Segundo passo, 10 minutos. Leia Neemias 4.1 a 4.23 e anote, ao lado de cada ameaça, a resposta concreta que Neemias deu.

3. Terceiro passo, 5 minutos. Escreva qual será o seu dardo, uma proteção com dia e hora, e o nome da pessoa que vai soar a sua trombeta.

O primeiro erro é transformar o versículo em licença para viver em guerra. O povo armado em 4.17 estava construindo. A arma servia ao muro, nunca o contrário.

O segundo erro é esperar o perigo passar para começar. Os inimigos não sumiram durante os 52 dias. A obra terminou com eles ainda rondando.

O terceiro erro é carregar tudo nas duas mãos. Neemias dividiu as tarefas: metade dos moços trabalhava, metade segurava lanças e escudos, como conta 4.16. Ninguém fazia tudo.

 
 
 
 
 

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III  Reflexão

O muro de 52 dias

 

Agora a cena salta para o capítulo 6. As pedras estão no lugar e faltam só as portas. Sambalate muda de tática: em vez de ataque, convida Neemias para uma reunião nas aldeias do vale de Ono, longe de Jerusalém.

Neemias recusa quatro vezes com a mesma resposta, em 6.3, na Almeida Revista e Corrigida: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer.” A palavra para obra é de novo mĕlāʾkāh, o ofício que a outra mão segurava.

Na quinta tentativa veio uma carta aberta, acusando Neemias de querer se fazer rei. Depois, um profeta contratado sugeriu que ele se escondesse no templo. Neemias percebeu que a ideia era assustá-lo e manchar seu nome, e ficou no muro.

Em 6.15 vem o registro seco: o muro acabou aos 25 de elul, em 52 dias. E o versículo seguinte diz o efeito nos inimigos. As nações ao redor temeram e perderam o ânimo, porque entenderam que a obra tinha sido feita por Deus.

Os 52 dias impressionam pelo tamanho do serviço. Parte do muro aproveitou alicerces antigos, e cada família cuidou de um trecho curto. Mesmo assim, foi um canteiro inteiro trabalhando quase dois meses sem tirar a roupa à noite.

O texto não diz se algum ataque chegou a acontecer. Neemias 4.15 conta que os inimigos souberam que o plano tinha sido descoberto, e o livro não registra nenhuma batalha no muro. O dardo ficou na mão, pronto, e a Bíblia não mostra ninguém o lançando.

A arma do versículo 17 talvez nunca tenha sido usada. Mesmo assim, ela fez parte da obra. Os inimigos viram um povo armado e desistiram do ataque surpresa. A defesa visível poupou o canteiro de parar.

A outra mão, a da pedra, também tem desfecho. Em Neemias 12, o muro é dedicado com dois coros que caminham em sentidos opostos sobre ele e se encontram no templo. O povo que carregou dardos agora carrega instrumentos.

Ninguém pede a você um muro de pedra em Jerusalém. A obra costuma ser menor: um curso que você não terminou, um negócio na metade, uma reconciliação que começou e travou. A pergunta de Neemias 4.17 cabe nesse tamanho.

Qual obra sua parou na metade porque você largou a pedra para segurar só o dardo?

Hoje, até as 22 horas: leia Neemias 4.17 uma vez, escolha uma obra parada e trabalhe nela 25 minutos seguidos, com o celular em outro cômodo.

 
 
 
 
 

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Segundo Neemias 4.18, como o pedreiro que precisava das duas mãos para assentar a pedra carregava sua arma?

AEntregava a arma a um ajudante que ficava ao lado dele
BPendurava o dardo nas costas, como um arco
CCingia a espada aos lombos, amarrada à cintura
DTrocava de posto com os carregadores de carga a cada hora

Resultado da última edição: 100% acertaram.

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