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Mateus 13.33: Três Medidas de Farinha

O fermento escondido numa massa de festa

Mãos enfarinhadas escondendo fermento numa bacia de farinha

O fermento escondido na bacia de farinha

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«O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.» Assim a Almeida traduz Mateus 13.33, uma parábola inteira de Jesus contada numa frase só.

Quem já fez pão em casa conhece a cena. Um punhado de massa azeda guardado da fornada anterior, a farinha na bacia, a água morna. O fermento some na massa e, horas depois, o pano de prato sobe como tenda.

Jesus contou a parábola na beira do mar da Galileia, segundo Mateus 13.1 e 13.2, para uma multidão de pé na praia enquanto ele falava sentado num barco. Muita gente ali tinha mãe, esposa ou irmã que amassava pão toda manhã.

Essas mulheres sabiam medir. A farinha do dia de uma família cabia numa tigela. Três medidas eram outra conversa, e nenhuma dona de casa da Galileia amassava tanto para o café da família.

A medida do texto é a sata, a unidade de grãos usada pelos judeus. Três satas formavam uma efa, a porção de cevada que Rute debulhou num dia inteiro de colheita, em Rute 2.17. Em medida de hoje, a conta chega perto de 40 litros de farinha.

Quarenta litros de farinha enchem um balde grande de obra. Amassar aquilo pede braço, horas e uma bancada que poucas casas tinham. Dá pão para uma família durante semanas, ou para uma festa de aldeia inteira.

A conta fica mais estranha quando se lembra a outra cena bíblica com a mesma quantidade. Em Gênesis 18.6, três visitantes chegam à tenda de Abraão no calor do dia, e ele corre até Sara com uma ordem: «Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze bolos.»

As três medidas de Sara e as três medidas da mulher da parábola são a mesma porção. Uma foi amassada às pressas para hóspedes que, no texto, se revelam mensageiros de Deus. A outra recebeu fermento escondido e ficou quieta, esperando crescer.

A seção I abre a palavra grega que Mateus escolheu para o gesto da mulher e mostra por que ela não mistura o fermento: ela o esconde.

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I  A Palavra

Fermento escondido na bacia

 

Pense numa mulher de avental, braços enfarinhados até o cotovelo, empurrando um pedaço de massa velha para o fundo da bacia. Ela não espalha o fermento por cima. Afunda a mão e cobre tudo com farinha, como quem enterra uma semente.

Mateus descreve o gesto com o verbo grego enékrypsen (escondeu). A raiz é a de kryptós, oculto, que deu a palavra cripta em português. Muitas traduções modernas suavizam para «misturou», mas o texto diz esconder.

O fermento, no texto, é zýmē (massa azeda guardada do dia anterior). Não era pó de pacote. Era um pedaço da fornada velha, reservado para levedar a nova, e por causa dele o fermento na Bíblia quase sempre carrega sentido de corrupção.

Em Êxodo 12.15, Israel tira todo o fermento de casa durante os sete dias da Páscoa. Em Mateus 16.6, o próprio Jesus avisa os discípulos contra o fermento dos fariseus e dos saduceus. Paulo, em 1 Coríntios 5.7, manda lançar fora o fermento velho.

Contra esse fundo, a parábola surpreende. Jesus pega o ingrediente com fama de estragar e o usa como imagem do Reino. O ouvinte da praia esperava pão sem fermento, puro, de festa. Recebeu uma massa inteira transformada por algo pequeno e escondido.

A quantidade reforça a surpresa. A efa aparece em ocasiões de oferta ou de festa. Gideão prepara uma efa de farinha em pães ázimos para o anjo, em Juízes 6.19. Ana leva uma efa ao templo quando entrega Samuel, em 1 Samuel 1.24.

Joachim Jeremias, em As Parábolas de Jesus, de 1947, fez a conta e concluiu que a massa de Mateus 13.33 alimentaria mais de cem pessoas. Para ele, o exagero é proposital: aponta para o banquete dos tempos finais, e não para o café de uma casa.

O eco com Gênesis 18 completa o quadro. Sara amassou três medidas porque havia visita de Deus na porta da tenda. A mulher da parábola faz a mesma massa, com o mesmo volume, e o Reino entra por dentro dela, invisível.

Lucas guarda a parábola quase igual, em Lucas 13.20 e 13.21, e a põe logo depois da cura de uma mulher encurvada havia dezoito anos, num sábado. O contexto de Lucas liga o fermento a alguém pequeno que o Reino endireita.

O final do versículo completa a imagem. A Almeida diz «até ficar tudo levedado». O grego usa hólon (o todo, a massa inteira): o fermento não para num canto da bacia, chega a cada grama da farinha.

 
 
 
 

II  Aplicação Prática

Três medidas na sua semana

 

Pense na semana que você tem pela frente. Tem reunião, conta para pagar, filho para buscar, uma conversa difícil adiada. Parece massa demais para o pouco de fé que sobra numa terça-feira à noite.

A parábola fala justamente dessa desproporção. Um punhado de fermento contra quarenta litros de farinha. A mulher não tenta levedar tudo com força de braço; ela esconde o fermento e deixa o tempo trabalhar.

Fermento natural não tem pressa. Quem faz pão de fermentação natural em casa sabe que a massa passa a noite coberta, na bancada, e só na manhã seguinte mostra se cresceu. O trabalho acontece quando ninguém está olhando.

Três passos, vinte minutos somados, ajudam a esconder um pouco de fermento na sua semana.

1. Primeiro passo, cinco minutos. Escolha três áreas da semana que pesam: trabalho, casa e uma relação. Escreva as três num papel. São as suas três medidas de farinha.

A escolha de três tem apoio no texto. Sara amassou três medidas, a mulher da parábola também. Três áreas cabem na memória de uma semana; dez viram lista esquecida na gaveta.

2. Segundo passo, dez minutos. Leia Gênesis 18.1 a 18.8 e depois Mateus 13.31 a 13.33, nessa ordem. Repare que as duas cenas têm pressa diferente: Sara corre, a mulher da parábola espera. Anote qual das duas se parece mais com a sua semana.

3. Terceiro passo, cinco minutos. Para cada área, escolha um gesto pequeno e escondido que ninguém precisa ver: uma oração de um minuto na porta da reunião, um bilhete na lancheira, uma mensagem curta para quem está magoado.

Um exemplo do formato: «Segunda, 8h, um salmo curto com o café, com o email ainda fechado». Outro: «Quarta, no jantar, perguntar ao filho qual foi o melhor momento do dia».

O primeiro erro é medir o fermento pela primeira noite. Massa não cresce em uma hora, e a semana também não muda na segunda-feira. O texto diz «até ficar tudo levedado», e esse até pede tempo.

O segundo erro é fazer do gesto uma vitrine. A mulher escondeu o fermento. Oração publicada, bilhete fotografado e caridade anunciada perdem a força de agir por dentro, a força que Jesus aponta em Mateus 6.6, no quarto de porta fechada.

O terceiro erro é desistir da massa grande. Quarenta litros assustam, e a tentação é diminuir a bacia. A parábola faz o contrário: mantém a quantidade de festa e confia no punhado.

Sara não amassou para si. Amassou para três estranhos que chegaram no calor. Parte da sua farinha da semana também é de outras pessoas, e o gesto escondido costuma render pão na mesa alheia.

 
 
 
 
 

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III  Reflexão

A mulher sem nome

 

Mateus não diz quem era a mulher da parábola. Não tem nome, idade, aldeia. Ela aparece num versículo, faz a massa e sai do texto, deixando só o resultado na bacia.

Sara, ao contrário, tem nome e história longa. Em Gênesis 18.12, enquanto os visitantes comem os bolos dela, ela ri escondida dentro da tenda ao ouvir que terá um filho na velhice. O riso vira nome: Isaque, em hebraico Yiṣḥāq (ele ri).

As duas cenas se encontram numa cozinha. Numa, a mulher amassa às pressas e ri escondida. Na outra, a mulher esconde o fermento e espera. Nas duas, Deus age dentro de uma tarefa doméstica que ninguém registraria numa crônica de reis.

A pergunta que o texto deixa é por que o Reino começa tão escondido. A resposta vem no próprio capítulo 13: a semente de mostarda do versículo 32 começa minúscula e vira árvore onde os pássaros fazem ninho. Mateus põe as duas parábolas lado a lado de propósito.

Em Mateus 13.35, o evangelista explica o método citando o Salmo 78.2: Jesus falava em parábolas para revelar o que estava oculto desde a fundação do mundo. O verbo grego ali vem da família de enékrypsen, e o escondido da cozinha e o da criação ganham a mesma raiz.

Dietrich Bonhoeffer, em Discipulado, de 1937, dedicou um capítulo à justiça escondida: o bem do discípulo, escreveu, deve ficar oculto até dos próprios olhos dele. O fermento da parábola trabalha desse jeito, sem plateia.

Há um limite honesto na leitura. O texto não diz quanto tempo a massa levou, nem se a mulher viu o pão assado. A parábola para na massa levedada; o forno fica fora da cena, porque o Reino ainda estava crescendo para quem ouvia.

Sara viu o seu desfecho. Isaque nasceu no tempo marcado, conta Gênesis 21.2, e ela disse que Deus lhe dera motivo de riso. Entre os bolos da tenda e o bebê no colo passou cerca de um ano, o prazo que o visitante anunciou em Gênesis 18.10.

As três medidas, então, guardam duas promessas. Uma cumprida num berço, com data. Outra em andamento numa bacia, sem data, para cada pessoa que ouve a parábola na própria cozinha.

Qual gesto pequeno você esconderia nesta semana, sem ninguém ver, esperando a massa crescer?

Hoje, até as 21h: escreva num papel as suas três medidas da semana e, ao lado de cada uma, um gesto escondido para fazer até domingo.

 
 
 
 
 
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Segundo o cálculo de Joachim Jeremias, no livro As Parábolas de Jesus, de 1947, citado no texto, a massa de Mateus 13.33 alimentaria quantas pessoas?

AMais de cinquenta pessoas
BMais de cem pessoas
CCerca de vinte pessoas, o tamanho de uma família grande
DCerca de setenta pessoas, o público de uma sinagoga

Resultado da última edição: 7 de 7 acertaram.

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