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A resposta de ontem Como o livro de Esdras chama o sumo sacerdote Josué? Esdras 3.2 o chama de Jesua, filho de Jozadaque. Josué e Jesua são duas formas do mesmo nome hebraico, Yehoshua, "o Senhor salva". Quando a Septuaginta traduziu Zacarias para o grego, escreveu Iēsous, a mesma grafia que o Novo Testamento usa para Jesus. O réu de roupa suja carregava o nome do Salvador. |
Imagine uma casa de Cafarnaum no século I. Paredes de basalto, a pedra escura da região, assentadas sem argamassa firme. Os cômodos se abrem para um pátio. Uma escada de pedra, do lado de fora, sobe até o teto plano. O teto começava pelas vigas de madeira, apoiadas de parede a parede. Sobre elas, o construtor deitava ramos, caniços e palha trançada. Por cima vinha uma camada grossa de barro misturado com palha, socado até virar uma crosta dura. As paredes de basalto eram fracas demais para segurar abóbada de pedra, e por esse motivo o teto ficava leve. Os arqueólogos franciscanos Virgilio Corbo e Stanislao Loffreda, que escavaram as casas de Cafarnaum a partir de 1968, descrevem esse padrão de cobertura leve sobre pedra solta. O teto pedia cuidado. A chuva de inverno amolecia o barro e abria rachaduras, e o dono subia para refazer a crosta antes da estação seguinte. Andar ali em cima era rotina. Pedro, em Atos 10.9, sobe ao terraço para orar perto do meio-dia. A Lei de Moisés já contava com gente no teto. Deuteronômio 22.8 manda construir um parapeito, uma mureta na borda, para que ninguém caia. Raabe, em Josué 2.6, esconde os espias sob talos de linho estendidos no terraço. Agora o verbo. Marcos escreve apestegasan tēn stegēn (destelharam o teto), literalmente “tiraram a cobertura da cobertura”. O grego repete a raiz de stegē, que quer dizer cobertura, para frisar onde o trabalho aconteceu. Logo depois vem exoryxantes, do verbo exoryssō (cavar para fora, escavar). O verbo serve para quem arranca terra de um buraco. Em Gálatas 4.15, Paulo usa o mesmo verbo para olhos que os gálatas teriam “arrancado” e dado de presente a ele. O verbo de Marcos está no aoristo, tempo que aqui marca uma ação terminada antes da próxima: primeiro cavaram até abrir, só depois baixaram a esteira. A ordem dos gestos ficou gravada na forma da palavra. Imagine o som dentro da casa. Jesus fala, a sala está cheia, e de repente cai terra do alto. Pedaços de barro seco, palha, poeira. Alguém olha para cima e vê luz entrando por um buraco que cresce. Depois de quebrar a crosta, os quatro precisavam afastar ramos e caniços. Entre duas vigas, abriram espaço suficiente para uma esteira passar deitada. Desceram o amigo com cordas ou com as próprias mãos, e Marcos não diz qual dos dois. A palavra para a cama também é de gente pobre. Marcos usa krabattos (catre, esteira de enrolar), a cama portátil de quem dormia no chão. Pesava pouco, e quatro homens a seguravam pelos cantos. O dono da casa perdeu um pedaço do teto naquela tarde. O texto não conta quem pagou o conserto nem o nome do dono. Muitos comentaristas supõem que a casa era de Pedro, por causa de Marcos 1.29, mas o capítulo 2 não confirma.
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Pense em alguém que você ama e que não chega sozinho até a ajuda de que precisa. Um pai que não aceita ir ao médico, uma amiga em crise, um colega afundado em dívida. A porta da frente está lotada. Os quatro amigos de Cafarnaum enfrentaram a mesma porta. Marcos 2.4 diz que não conseguiam chegar perto “por causa da multidão”. A solução deles custou suor, sujeira e um teto alheio. Ninguém ali fez discurso; todos pegaram no barro. O versículo seguinte mostra para onde o esforço levou. Em Marcos 2.5, Jesus vê a fé deles, dos carregadores, e só então fala com o paralítico. A fé, nessa cena, aparece primeiro nos braços de quem cavou. Escavar um teto exige três decisões práticas, e as três cabem numa semana comum. 1. Identificar a porta entupida. Escreva o nome de uma pessoa e o obstáculo concreto que a impede de chegar à ajuda: distância, vergonha, dinheiro, agenda. 2. Achar a escada de fora. Toda casa galileia tinha um acesso lateral. Liste dois caminhos diferentes da porta: um telefonema a um médico conhecido, uma carona, uma visita sem aviso. 3. Chamar os outros três. O paralítico chegou nos braços de quatro. Mande mensagem a duas pessoas que também amam esse alguém e combine uma tarefa para cada, com dia marcado. Três erros desviam o gesto. O primeiro é esperar a multidão ir embora. Em Marcos, a casa não esvazia; os amigos agem com ela cheia. O segundo erro é cavar sozinho. Uma esteira com um homem deitado não desce por um buraco com um carregador só. Ajuda séria costuma pedir mais braços do que a gente gosta de pedir. O terceiro erro é ignorar o dono do teto. Buraco aberto tem custo para alguém. Quem força uma passagem para ajudar deve contar com o conserto depois e se oferecer para fazê-lo. Repare também na ordem que o verbo de Marcos guarda: primeiro cavar até abrir, depois descer. Muita ajuda para pela metade, com o buraco feito e a esteira ainda no telhado. O texto não diz se os amigos voltaram depois para refazer o barro. Marcos encerra a cena com o paralítico saindo pela porta, carregando a própria esteira, à vista de todos, em Marcos 2.12. A saída pela porta fecha o círculo. O homem que entrou pelo teto, carregado, sai pela entrada comum, andando. A multidão que bloqueava abre caminho para ele.
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