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60% escolheram Efésios 3.20 Hyperekperissoû, além. Sai em 09/09.
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Jonas 4:6
"E o SENHOR Deus preparou uma planta para fazer sombra sobre a cabeça de Jonas."
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Jonas à sombra do qiqayon, a leste de Nínive
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"A perda nada mais é do que mudança." Marco Aurélio escreveu a frase nas Meditações, por volta do ano 170 depois de Cristo, e ela funciona como diagnóstico de qualquer pessoa que já se descabelou por um conforto pequeno que sumiu. A reação raramente tem o tamanho do objeto perdido. Ela tem o tamanho da nossa dependência dele. O livro de Jonas termina com o profeta sentado do lado de fora de uma cidade que ele não queria ver salva. Nínive, capital assíria, tinha ouvido a pregação mais curta do Antigo Testamento, cinco palavras em hebraico, e reagiu com jejum coletivo do rei ao gado. O texto diz que Deus viu a mudança de rota e não trouxe o desastre anunciado. A reação do profeta a essa notícia é registrada sem eufemismo. Ele fica irritado, discute com Deus, lembra a fórmula antiga do Êxodo sobre um Deus clemente e misericordioso, e usa a fórmula como acusação: eu já sabia que você faria assim, e por causa disso fugi para Társis. Depois da discussão, Jonas monta uma cabana rústica a leste da cidade e senta na sombra dela, esperando para ver o que aconteceria com Nínive. O detalhe é honesto sobre o estado dele: já tinha ouvido a decisão divina, e mesmo assim ficou de plantão, na expectativa de que os quarenta dias ainda cobrassem alguma coisa da cidade. A cabana feita de galhos seca rápido no calor do vale mesopotâmico. É nesse ponto que o versículo 6 entra, e ele traz duas informações que a leitura corrida costuma atropelar. A primeira é como o hebraico batiza a planta que sobe sobre a cabeça do profeta. A segunda é a intensidade da reação dele diante da folhagem. O verso registra a alegria de Jonas com uma construção hebraica de reforço, do tipo que o idioma usa quando quer marcar volume, e essa é a única vez em quatro capítulos que o livro descreve o profeta alegre. Não há alegria na tempestade, nem no peixe, nem na oração de dentro do peixe, nem diante do arrependimento de uma cidade inteira. Qual é a palavra hebraica dessa planta, por que ela não aparece em nenhum outro livro da Bíblia, que confusão ela causou entre dois dos maiores tradutores da Igreja antiga e o que a aritmética final do livro faz com a alegria do profeta, vem agora. Continue lendo ↓
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I A Palavra
Uma planta que a Bíblia nomeia só aqui
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O hebraico do verso corre assim: vayeman YHWH Elohim qiqayon vaya'al me'al leYonah lihyot tsel al rosho lehatsil lo mera'ato. E o SENHOR Deus designou um qiqayon, e ele subiu por cima de Jonas para ser sombra sobre a cabeça dele, para livrá-lo do seu mal-estar. O verso termina com vayismach Yonah al haqiqayon simchah gedolah, e Jonas se alegrou por causa do qiqayon com alegria grande. A palavra qiqayon aparece cinco vezes na Bíblia hebraica, todas dentro do capítulo 4 de Jonas: duas no verso 6, e uma em cada um dos versos 7, 9 e 10. Nenhum outro livro do Antigo Testamento usa o termo. O leitor antigo encontrava a palavra pela primeira vez exatamente onde a história precisava dela, e não tinha outro trecho bíblico para consultar. A identificação botânica mais aceita entre os hebraístas é a mamona, Ricinus communis, arbusto de folhas largas que cresce rápido em terreno quente e produz sombra densa em poucos dias. O nome egípcio antigo da mamona, kiki, e o termo grego kiki que Heródoto usa no Livro II das Histórias, escrito no século V antes de Cristo, para o óleo extraído da planta no Egito, sustentam a leitura. A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento feita em Alexandria a partir do século III antes de Cristo, resolveu o termo por kolokyntha, abóbora ou cabaça. Jerônimo, ao produzir a Vulgata latina no fim do século IV, trocou a cabaça por hedera, hera, e a troca virou caso público. Agostinho registrou a confusão na Carta 71, endereçada a Jerônimo por volta do ano 403. Ele conta que um bispo do norte da África leu a versão nova em voz alta na igreja de Oea, hoje Trípoli, e a congregação se revoltou ao ouvir hera no lugar da cabaça que conhecia de cor. O bispo quase perdeu o rebanho por uma folha. O verbo que abre o verso merece atenção igual. Vayeman vem da raiz manah, designar, nomear, atribuir uma função. O livro usa a mesma raiz quatro vezes: para o grande peixe do capítulo 2, para o qiqayon aqui, para o verme do verso 7 e para o vento leste sufocante do verso 8. Peixe, planta, larva e vento entram no texto com o mesmo estatuto de instrumento designado. A finalidade declarada da sombra também é precisa. Lehatsil lo mera'ato usa o mesmo substantivo, ra'ah, que o livro emprega para a maldade de Nínive no capítulo 1, para o desastre que Deus decide não trazer no capítulo 3 e para o desgosto de Jonas no início do capítulo 4. A planta o livra do próprio ra'ah, e o duplo sentido da palavra faz o trabalho sozinho. Sobre simchah gedolah, alegria grande: a construção junta o verbo samach com o substantivo cognato e o adjetivo, um reforço que o hebraico reserva para alegrias de peso, como a de 1 Reis 1:40, quando o povo festeja a unção de Salomão com barulho suficiente para rachar a terra. Jonas recebe o mesmo grau de intensidade por causa de um arbusto que ele não plantou.
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II Aplicação Prática
Três medidas para o tamanho da sua alegria
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O capítulo faz uma auditoria de proporção, e proporção se descobre com anotação, nunca com introspecção vaga. Três frentes cabem numa folha e servem para qualquer semana em que o humor pareceu grande demais para a causa. Primeiro, listar as alegrias e as irritações desta semana com o objeto ao lado. Escreva sete linhas, uma por dia, cada uma com o que mais mexeu com você naquele dia e o que o motivo custa em dinheiro ou em minutos. Café atrasado, vaga de estacionamento, notificação de venda, ar-condicionado que parou. A lista costuma mostrar que as maiores oscilações vieram de objetos de baixíssimo custo. Segundo, comparar a lista com as pessoas que você atendeu de fato. Escreva ao lado da folha os nomes de quem dependeu de você nesses sete dias, e quantos minutos cada um recebeu. Se o total de minutos dedicados às pessoas ficar abaixo do total gasto ajeitando confortos da primeira coluna, você acabou de encontrar a mesma distorção que o capítulo 4 de Jonas descreve. Terceiro, escolher uma sombra para desmontar de propósito. Pegue um conforto pequeno da primeira lista e passe um dia inteiro sem ele: o aplicativo que você abre no semáforo, o açúcar do café, a série que ocupa a hora do jantar. O objetivo não é virtude, é medição. A intensidade da falta que você sentir revela o quanto daquela alegria estava apoiada em hábito e não em valor. As três frentes ocupam quarenta minutos somados e trabalham encadeadas. Listar sem comparar com nomes de pessoas produz apenas uma tabela de manias; comparar sem testar a falta deixa a conclusão no plano da teoria, onde ninguém muda de comportamento. Uma observação sobre a segunda coluna. Ela não pede grandes gestos nem projeto social. Um telefonema de dez minutos para quem está sozinho já muda a aritmética da folha, e a mudança aparece na semana seguinte, quando o café atrasado deixa de ser o assunto principal do seu dia.
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