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60% escolheram Isaías 30.18 Chakah, espera. Aqui está.
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Isaías 30:18
"Por isso o SENHOR espera para ter misericórdia de vocês."
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Caravana de Judá a caminho do Egito
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"Enquanto adiamos, a vida corre." Sêneca escreveu a frase na primeira carta a Lucílio, por volta do ano 63 depois de Cristo, e ela vale como retrato de quase toda espera humana: a pessoa fica parada, o calendário não fica, e no fim ela reclama do tempo que ela mesma deixou passar sem endereço. Espera sem destino é adiamento com outro nome. O capítulo 30 de Isaías foi escrito com o cheiro de estrada. Judá tinha caravanas descendo ao Egito, carregadas de presentes em lombo de jumento e camelo, para comprar cavalos e a promessa de proteção contra a Assíria. O profeta chama a viagem de aliança que não veio do SENHOR, e a barganha, na previsão dele, termina em vergonha e nunca em segurança. A partir dessa cena de pressa nacional, o capítulo vira. O texto passa a descrever um povo que se recusa a ficar quieto, que pede aos videntes profecia macia, que prefere fugir a cavalo veloz a permanecer em confiança e descanso. A pressa aparece como sintoma, e o remédio proposto pelo profeta soa insuportável para quem está com medo: parar e aguardar. O versículo 18 abre com uma conjunção de consequência, e é essa amarração que assusta o leitor apressado. Depois de páginas de recusa do povo, o texto não anuncia castigo imediato. Ele anuncia um SENHOR que aguarda, e o verbo escolhido para descrever essa espera divina é exatamente o mesmo verbo aplicado logo em seguida a quem espera por ele. A tradução portuguesa costuma resolver as duas ocorrências com dois termos diferentes, esperar e aguardar, ou esperar e confiar, e a variação enfraquece o efeito. O hebraico martela a mesma raiz nas duas pontas da frase, e a repetição é o argumento inteiro do verso. Qual é essa raiz, o que ela significa fora do vocabulário religioso, onde mais ela aparece na Bíblia hebraica e por que a demora que ela descreve tem prazo contado, e não silêncio, vem agora. Continue lendo ↓
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I A Palavra
O mesmo verbo nas duas pontas
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O hebraico da primeira metade do verso corre assim: velaken yechakkeh YHWH lachananchem. E por causa disso o SENHOR chakah para ter graça de vocês. A segunda metade fecha com ashrei kol chokhei lo, bem-aventurados todos os que chakah nele. A raiz chakah descreve aguardar alguém ou algo que tem chegada prevista. O uso não religioso do verbo aparece em 2 Reis 7:9, quando os quatro leprosos que encontraram o acampamento arameu abandonado dizem entre si que não podem ficar calados, porque se chakah até a luz da manhã a culpa cai sobre eles. Ali o verbo marca a espera por um horário certo, o amanhecer, que ninguém duvida que virá. A carga do verbo aparece com clareza em Habacuque 2:3. O profeta recebe a ordem de escrever a visão em tábuas, e o texto explica que a visão tem prazo próprio, corre para o fim e não mente; se demorar, chakah por ela, porque certamente virá e não vai atrasar. A demora está prevista dentro da própria promessa, com hora contada. Salmos 33:20 usa a mesma raiz para a alma que chakah pelo SENHOR, chamado ali de socorro e escudo. O verbo aparece encostado em vocabulário militar, de quem aguarda reforço num cerco, não de quem aguarda uma vaga possibilidade. Compare com o que o hebraico tinha disponível. Existe qavah, esperar com tensão de corda esticada, o verbo de Isaías 40:31. Existe yachal, aguardar com esperança, o verbo do salmista que espera na palavra. Existe damam, ficar em silêncio, calar-se diante do SENHOR. O profeta escolheu chakah, a espera de quem tem compromisso agendado com outra parte. E a escolha fica mais pesada quando o verbo é aplicado ao próprio SENHOR. O texto diz que ele chakah para ter graça, e a segunda linha do verso repete a ideia com outro verbo, yarum, levantar-se, ficar de pé para se compadecer. A imagem é de alguém que já está em posição, aguardando a hora certa de agir. O motivo dessa espera divina vem grudado na frase: porque o SENHOR é Deus de mishpat, palavra hebraica de justiça e juízo, o senso de fazer a coisa certa na medida certa. A demora aparece amarrada ao caráter de quem espera, nunca à distração dele. O fecho do verso, ashrei, repete a palavra que abre o livro dos Salmos para descrever o homem que não anda no conselho dos ímpios. Ela indica uma condição de vida bem posicionada, não um sentimento de alegria. Quem chakah está bem posicionado porque coincide com o relógio de quem já está esperando na outra ponta da promessa. A frase inteira monta uma cena de dois lados aguardando o mesmo encontro. O SENHOR aguarda a hora justa de ser gracioso, o povo aguarda a graça, e o verbo repetido informa que a espera é de mão dupla.
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II Aplicação Prática
Três modos de marcar a hora da sua espera
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O verso descreve espera com destino, e destino se escreve. Três frentes práticas cabem nos próximos dias, e as três valem para qualquer pendência que esteja te deixando com a mão no telefone. Primeiro, converter espera vaga em espera datada. Pegue a pendência que mais consome sua cabeça agora, o exame, a proposta enviada, a resposta que não veio, e escreva uma linha com o nome dela e a data em que você vai reavaliar, sem checar até lá. Espera sem data marcada vira consulta compulsiva a caixa de entrada; espera com data vira compromisso agendado, no formato exato do verbo do verso. Segundo, escrever o que você vai fazer enquanto aguarda. O povo de Isaías 30 saiu correndo para o Egito porque não sabia o que fazer com as mãos durante o intervalo. Escolha uma tarefa concreta que ocupe o período, algo que dependa apenas de você, e liste três ações dela: estudar o assunto do processo, atualizar o currículo, organizar a papelada. A espera do verso é ativa, com quem espera de pé, em posição. Terceiro, separar a demora que tem dono da demora que é sua. Faça duas colunas numa folha: à esquerda o que depende de terceiros, prazo de banco, retorno de médico, decisão de contratação; à direita o que depende só de você e continua parado. A coluna da direita costuma ser mais cheia do que a memória sugere, e cada item dela é adiamento disfarçado de espera. As três frentes ocupam vinte minutos numa folha de caderno e se sustentam encadeadas. Datar sem ocupar as mãos devolve a ansiedade pela porta dos fundos; ocupar as mãos sem separar as colunas mantém você trabalhando duro no lado errado da folha. Uma observação sobre a coluna da direita. Ela existe para ser resolvida hoje, não reavaliada depois. O que está parado por sua conta não precisa de prazo novo, precisa de meia hora e de disposição para começar pelo item mais chato da lista.
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