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A resposta de ontem Quanto tempo o filho de Jeoaquim ficou no trono? Três meses, segundo 2 Reis 24.8; 2 Crônicas 36.9 fala em três meses e dez dias. Joaquim, também chamado Jeconias, foi levado para a Babilônia por Nabucodonosor em 597 a.C. e ficou preso por 37 anos, até ser solto por Evil-Merodaque (2 Reis 25.27). Nenhum filho dele reinou em Jerusalém. |
Imagine um escriba numa repartição persa, por volta de 450 a.C. À frente dele, um rolo de papiro, um cálamo (a caneta de junco) e um selo de argila. A carta que ele copia vai viajar semanas por estrada até o rei. Esdras 4.8 dá os nomes de quem assinou a carta: Reum e Sinsai, o escrivão. O texto chama Reum de beʿēl-ṭəʿēm (senhor do decreto), título aramaico de um alto funcionário da província. Antes de copiar a carta, o narrador escreve uma nota em hebraico. A palavra-chave é ʾarāmît (em aramaico), um advérbio que aparece também em 2 Reis 18.26 e em Isaías 36.11, na mesma cena. A cena é de 701 a.C. O exército assírio cerca Jerusalém. Os ministros do rei Ezequias pedem ao general Rabsaqué que fale com eles em aramaico, e não em judaico, para que o povo sentado na muralha não entenda. O pedido mostra o lugar da língua. O aramaico era o idioma dos diplomatas e dos escribas, aprendido por gente de corte. O povo comum de Jerusalém, naquele ano, ainda não o entendia. Três séculos depois, o quadro mudou. Os persas herdaram dos assírios e babilônios o costume de administrar o império em aramaico. Os linguistas chamam essa forma de aramaico imperial, a variante padronizada das chancelarias. A prova mais conhecida está no Egito. Em Elefantina, uma ilha do Nilo, uma colônia de soldados judeus deixou papiros em aramaico do século 5 a.C. Um deles, de 407 a.C., é uma carta ao governador persa de Judá, Bagoas. A carta de Elefantina pede licença para reconstruir um templo destruído na ilha. O formato lembra Esdras: saudação ao superior, relato da destruição, pedido de autorização. Judeus de duas pontas do império escreviam ao governo do mesmo jeito. Esse é o primeiro motivo da troca de língua. Esdras reproduz documentos oficiais, e eles circulavam em aramaico. O narrador copia a correspondência na língua em que ela existia nos arquivos. O segundo motivo é mais difícil. O trecho aramaico inclui narrativa, não só cartas: os versículos sobre os profetas Ageu e Zacarias, em Esdras 5.1, também vêm em aramaico. Os estudiosos não chegaram a um acordo sobre a razão. A hipótese mais aceita diz que o autor usou uma fonte já escrita em aramaico, com documentos e narrativa juntos, e a inseriu sem traduzir. Nenhum manuscrito dessa fonte sobreviveu, por isso a hipótese segue sem prova. O aramaico é parente próximo do hebraico, como o espanhol do português. Os dois usam o mesmo alfabeto. A letra hebraica quadrada de hoje, aliás, descende da escrita aramaica, adotada pelos judeus depois do exílio.
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