|
Pense na sua segunda-feira às 8 da manhã. O primeiro e-mail, a fila do caixa, o paciente na maca, a criança que precisa de banho. Muita gente vive essas horas como intervalo entre um culto e outro. Paulo não tratava o pano como intervalo. Em 1 Tessalonicenses 2.9, na mesma Almeida, ele lembra: “[...] trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.” Ele tinha direito a ser sustentado pelas igrejas, e conta em 1 Coríntios 9 que abriu mão desse direito em Corinto. A agulha lhe dava liberdade: ninguém podia acusá-lo de pregar por dinheiro. Mais tarde, chegou reforço. Atos 18.5 conta que Silas e Timóteo vieram da Macedônia, e 2 Coríntios 11.9 diz que os irmãos de lá supriram o que faltava. Só então Paulo se dedicou inteiro à pregação. A primeira aplicação é olhar o seu ofício como lugar, e não como pausa. A conversa da oficina de Corinto aconteceu porque havia pano para costurar. O seu trabalho também junta gente que nunca entraria numa igreja. A segunda aplicação trata do sustento. Paulo pagou as próprias despesas para tirar um obstáculo do caminho de quem ouvia. Pergunte onde o seu dinheiro, ou a falta dele, pesa sobre quem você quer servir. A terceira aplicação é a parceria. Paulo não montou oficina própria: entrou na de Áquila e Priscila. Fé e trabalho se encontraram numa casa que alguém já tinha aberto, com ferramentas, clientes e aluguel. Três passos, 15 minutos somados, levam o versículo para a semana. 1. Primeiro passo, 5 minutos. Leia Atos 18.1 a 18.11 e marque cada verbo de trabalho e cada verbo de pregação. 2. Segundo passo, 5 minutos. Escreva o nome de três pessoas com quem você trabalha toda semana e que não frequentam igreja. 3. Terceiro passo, 5 minutos. Escolha uma delas e marque um café ou um almoço curto nos próximos sete dias, só para ouvir como ela está. O primeiro erro é transformar o ofício em ferramenta de recrutamento. Paulo costurava tenda boa, que não deixava a chuva passar. Trabalho malfeito desmente o que a boca prega. O segundo erro é ter vergonha do serviço braçal. Em Corinto, a elite grega desprezava quem vivia das mãos. Paulo escreve em 1 Coríntios 4.12, na mesma Almeida: “[...] trabalhando com nossas próprias mãos [...]”, e não esconde os calos. O terceiro erro é achar que a obra só começa quando o expediente termina. Os 18 meses de Corinto, registrados em Atos 18.11, foram em boa parte meses de agulha. A igreja da cidade nasceu numa oficina.
|