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A palavra de Apocalipse 5:6 é arníon. Ela é o diminutivo de arḗn, cordeiro, formado com o sufixo grego que indica cria pequena, exatamente como paidíon é a criança em relação ao adulto.
O grego tinha alternativa disponível e mais óbvia. Amnós é o termo usado quando o assunto é o cordeiro do rito, e aparece com peso litúrgico em outros textos do primeiro século ao apontar a figura que carrega culpa alheia.
Amnós não é a palavra escolhida aqui. O texto opta pela forma diminutiva e a repete quase trinta vezes ao longo do livro, o que transforma a escolha em vocabulário fixo, não em variação de estilo de uma frase só.
O diminutivo grego nem sempre significa carinho. Muitas vezes marca apenas tamanho ou juventude, e a leitura mais sóbria da palavra é a de um animal jovem, pequeno, sem nenhuma qualidade de intimidação.
Vem então o particípio que acompanha o nome: esphagménon, do verbo spházō. O verbo é técnico e áspero, usado para o corte de garganta do animal no altar, e não para uma perda genérica de vida.
O tempo do particípio faz o trabalho decisivo. Está no perfeito passivo, o tempo grego da ação realizada cujo resultado permanece em vigor no momento da fala.
A tradução costuma resolver a construção com a fórmula como havendo sido imolado, e a fórmula esconde o essencial. A leitura literal é mais direta: um cordeirinho de pé, trazendo agora a marca do abate.
A cena guarda uma contradição deliberada. O animal está em pé, postura de quem vive, e ao mesmo tempo exibe a ferida do rito, prova de um evento concluído no passado.
O contraste com a audição anterior é o eixo da passagem. Um ancião anuncia o Leão da tribo de Judá e a raiz de Davi, títulos que a tradição associava a vitória militar e restauração do reino.
O vidente escreve que ouviu uma coisa e viu outra. A composição não corrige o título, apenas mostra quem o cumpre, e a distância entre o anunciado e o visto é o argumento inteiro.
Há ainda um detalhe de posição no texto. A figura aparece no meio do trono, no centro do círculo formado pelos seres viventes e pelos anciãos, ou seja, no ponto exato de onde se governa.
E há o que vem depois. O animal recebe o livro selado das mãos de quem está sentado, e a competência para abrir os selos é atribuída à própria condição de quem foi abatido, não a um poder exercido apesar dela.
O que a palavra afirma, portanto, não é uma troca de assunto. É a definição do trono pelo animal que a heráldica nunca escolheria, com a marca do rito ainda aberta no corpo de quem governa.
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