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O relato de Dotã sugere um método, e o método cabe em seis frentes para os próximos dias. Primeiro, separar o que falta do que não está sendo visto. Quase toda crise chega classificada como falta de recurso, e uma parte grande delas é falta de leitura do recurso disponível. Escreva o problema que mais pesa nesta semana em uma linha. Embaixo, liste tudo que já existe e que se aplica ao problema: pessoas, dinheiro parado, ferramentas assinadas e não usadas, favores devidos a você. Some a lista antes de pedir qualquer recurso novo a alguém. Segundo, procurar o poço de Agar. O relato de Gênesis 21 mostra alguém a poucos passos da água, chorando de sede, com a vista travada pelo próprio desespero. Ande cinquenta metros do seu problema, literalmente. Levante da cadeira, saia do cômodo, faça uma volta no quarteirão e volte com o mesmo problema na cabeça. Distância física curta muda a posição do observador e destrava leitura. Terceiro, usar o olho emprestado de alguém. O rapaz de Dotã tinha ao lado uma pessoa que enxergava o mesmo monte com outra classificação, e essa pessoa falou antes de orar. Descreva a sua situação para alguém que não vive dentro dela, em cinco minutos cronometrados, e peça uma única pergunta de volta. Pergunta de fora costuma acertar a trava que a repetição interna protege. Quarto, contar a tropa que já está do seu lado. O profeta faz uma contagem no versículo anterior à oração e afirma superioridade numérica em plena inferioridade aparente. Faça a lista nominal de quem atenderia o seu telefonema hoje se a situação apertasse. Escreva os nomes, não a sensação. A sensação de estar sozinho raramente sobrevive a uma lista com nomes escritos à mão. Quinto, tratar pânico como relatório parcial. O grito do rapaz descreve fatos verdadeiros, cavalos verdadeiros, tropa verdadeira, e ainda assim entrega um retrato incompleto do monte. Antes de decidir sob pressão, escreva a frase que o seu medo está afirmando e classifique cada parte dela como fato verificado ou como conclusão. A separação leva três minutos e derruba a maior parte das decisões apressadas. Sexto, pedir vista antes de pedir mudança de cenário. A oração da cena não solicita alteração no mundo material, e o cerco continua montado enquanto o rapaz aprende a olhar. Reescreva o seu pedido mais repetido dos últimos meses trocando o objeto: em lugar de solicitar que a situação mude, solicite ver o que já está posicionado dentro dela. Guarde as duas versões lado a lado e leia as duas em voz alta.
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