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100% escolheram Onésimo em Filemom 11. Sai em 20/09.
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1 Samuel 7:12
Até aqui nos ajudou o SENHOR
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A pedra levantada entre Mizpá e Sem
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«Quem não se lembra do passado está condenado a repeti-lo.» George Santayana escreveu a frase em A Vida da Razão, 1905, e ela explica por que quase ninguém volta de livre vontade ao lugar onde perdeu tudo. Israel voltou. O primeiro livro de Samuel conta que o exército acampou num ponto chamado Ebenézer e enfrentou os filisteus em Afeque, e que quatro mil homens ficaram no campo depois do primeiro choque. Os anciãos mandaram buscar em Siló a arca da aliança, a caixa de madeira e ouro que guardava as tábuas da lei, certos de que o objeto sagrado viraria o jogo na manhã seguinte. O jogo virou para o outro lado. A segunda batalha custou trinta mil homens de infantaria, os filisteus carregaram a arca embora, e os dois filhos do sacerdote Eli ficaram naquele campo. A notícia chegou a Siló pela boca de um fugitivo. Eli, com noventa e oito anos, caiu da cadeira ao ouvir que a arca tinha sido tomada, e a nora dele batizou o neto de Icabode, foi-se a glória. A arca passou sete meses em território filisteu e voltou por conta própria, empurrada pelas pragas que a acompanhavam. Parou em Quiriate-Jearim, numa casa no alto, onde ficou guardada por vinte anos. Duas décadas depois, Samuel reuniu o povo em Mizpá, mandou jogar fora os ídolos estrangeiros e ofereceu um cordeiro inteiro enquanto os filisteus subiam outra vez para atacar. Um trovão enorme desmontou a formação filisteia naquela tarde, e Israel perseguiu os inimigos até abaixo de Bete-Car. O povo que tinha chegado a Mizpá desarmado e com fome voltou pelo caminho da planície sem perder ninguém de vista. Foi então que Samuel pegou uma pedra do chão e a levantou entre dois povoados, à vista de quem passava, sem convocar pedreiro, sem mandar gravar letra nenhuma no material. O nome que ele deu à pedra repetia o do campo onde a arca se perdera. A palavra hebraica no centro do gesto abre o que vem agora. Continue lendo ↓
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I A Palavra
Até aqui, e nem uma palavra a mais
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Você guarda um comprovante antigo na gaveta, uma foto de exame, um bilhete. O papel não serve para nada prático hoje, e mesmo assim você não joga fora: ele prova que um trecho difícil passou. Samuel fez esse gesto com uma pedra. 1 Samuel 7:12 diz que ele a colocou entre Mizpá e um povoado chamado Sem e deu a ela um nome composto, ʾeben hāʿēzer, que em português é pedra do socorro. ʾeben (pedra) é o termo comum para o material que estava ali no chão, sem corte nem inscrição. ʿēzer (socorro) nomeia a ajuda que chega de fora quando a força de dentro acabou. ʿēzer aparece em Gênesis 2:18 para a companheira que resolve a falta do homem sozinho, e no Salmo 121:2 para o socorro que vem de quem fez o céu e a terra. A palavra nunca descreve ajuda decorativa. A frase que Samuel diz ao batizar a pedra tem quatro palavras em hebraico: ʿad hēnnâ ʿăzārānû YHWH (até aqui nos ajudou o SENHOR). Curta o bastante para uma criança repetir na volta para casa. ʿad hēnnâ (até aqui) marca ponto no tempo e no chão ao mesmo tempo: até este dia e até este pedaço de terra. Samuel não promete nada sobre o mês seguinte. A forma verbal ʿăzārānû está no perfeito hebraico, que aponta ação concluída: em português prático, ajudou, já aconteceu, está fechado. Ele registra o que terminou e para de falar ali. A pedra não previa nada. Ela travava um fato no chão, num lugar onde ninguém pudesse dizer depois que aquilo não tinha acontecido. O nome do lugar já existia antes do marco. 1 Samuel 4:1 situa o acampamento israelita em Ebenézer na campanha que terminou com a arca nas mãos dos filisteus, vinte anos antes daquela tarde. O que muda, então, é o dono do nome. O campo se chamava pedra do socorro numa época em que socorro nenhum tinha aparecido, e o nome ficou pendurado, sem conteúdo, por duas décadas. Quando o socorro chegou, Samuel não escolheu um nome novo. Ele pegou o antigo, pôs uma pedra debaixo dele e deixou o nome finalmente descrever o que tinha acontecido naquele pedaço de terra. A tradução portuguesa costuma manter Ebenézer sem verter, e o leitor passa reto. Quem lê em hebraico ouve o sentido na hora: a pedra do socorro, com artigo, o socorro específico daquela tarde. O gesto tem endereço. Entre Mizpá, onde o povo tinha jejuado, e Sem, um povoado que ninguém localizou até hoje, ficou um marco de campo em que qualquer pastor esbarrava na travessia.
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II Aplicação Prática
Uma pedra que cabe na mesa
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O gesto de Samuel cabe numa folha de papel e em quinze minutos. Ele tem três partes: escolher o dia, escrever o fato no passado e deixar o registro onde você esbarre nele sem procurar. Primeiro passo, cinco minutos. Escreva no alto da folha a pergunta: o que já passou e eu ainda carrego como se estivesse acontecendo? Liste no máximo três situações, com o ano de cada uma. Segundo passo, três minutos. Para cada situação, escreva uma frase no passado, com verbo terminado: paguei, saí, tratei, voltei a trabalhar. Frase no gerúndio não fecha nada e mantém a conta aberta. Terceiro passo, dois minutos. Escreva o dia de hoje embaixo das três frases. Sem esse carimbo, o papel vira desabafo; com ele, o papel vira marco, e você consegue comparar daqui a um ano. Quarto passo, cinco minutos. Escolha um objeto pequeno e barato, uma pedra de jardim, uma moeda velha, e deixe junto do papel na estante ou na mesa, na altura dos olhos. O objeto parece bobo e faz o trabalho pesado. Texto guardado em aplicativo você nunca reabre; pedra na mesa entra no seu campo de visão sem pedir licença, três ou quatro vezes por dia. Escreva o que terminou. A ansiedade se alimenta de conta aberta, e frase no passado fecha uma conta por vez. O erro mais comum transforma a lista em promessa. Ebenézer não é meta de trimestre: o papel registra o que já aconteceu, e qualquer linha que comece com vou fazer deve ser riscada na hora. O segundo erro é a lista longa. Vinte itens viram inventário, e ninguém relê inventário. Três frases cabem numa olhada de dez segundos, que é o tempo real que você vai dar ao papel. Marque no calendário uma releitura daqui a noventa dias, dez minutos. Nessa releitura, some uma frase nova, se houver, e deixe as antigas onde estão. Lista de socorro não se apaga para caber. Quem mora com outras pessoas pode fazer a versão de mesa: uma frase por pessoa, dita em voz alta no domingo, dois minutos no total. Criança de seis anos entende o exercício e repete a frase na semana. A conta final fica pequena: quinze minutos hoje, dez minutos a cada noventa dias. Quarenta e cinco minutos por ano para manter registrado o que você já atravessou e costuma esquecer na primeira semana difícil.
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