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Fique por um momento no alto do Carmelo. A cordilheira corre em direção ao mar e termina num promontório sobre a baía onde hoje fica Haifa, em Israel. Do cume, o servo de Elias via a água de ponta a ponta. O que ele procurava vinha justamente daquela água. Na terra de Israel, a chuva de inverno chega do oeste, trazida pelos ventos do Mediterrâneo. Quem queria saber se ia chover olhava para o mar, nunca para o deserto. Jesus usa o mesmo saber em Lucas 12.54, na mesma Almeida: “[...] Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim sucede.” O povo da Galileia lia o céu do jeito que o servo leu no Carmelo. Na sétima subida, o rapaz descreve a nuvem com uma medida do corpo. O hebraico diz kekaf ish (como a palma de um homem). A palavra kaf (palma da mão) nomeia a parte côncava da mão, a que se fecha para segurar e se abre para receber. Kaf aparece em muitos lugares do Antigo Testamento. Em Josué 1.3, é a planta do pé que pisa a terra prometida. Em 1 Reis 17.12, é o punhado de farinha que a viúva de Sarepta ainda guardava na panela. Esse último uso pesa nesta história. Um capítulo antes, durante a mesma seca, a viúva tinha em casa só uma palma de farinha e um pouco de azeite. Elias pediu o pão dela, e a farinha da panela não acabou até a chuva voltar. A seca começa, portanto, com uma palma de farinha numa casa pobre e termina com uma palma de nuvem sobre o mar. O narrador usa a mesma medida pequena nas duas pontas da crise. O número das subidas também trabalha. Sete, na Bíblia hebraica, marca o ciclo completo: os sete dias da criação, as sete voltas em torno de Jericó em Josué 6. O servo sobe até o ciclo se fechar, e só então vê. O texto não diz quanto tempo levou cada subida, nem quantas horas Elias passou curvado. Também não informa o nome do servo. Nenhuma fonte antiga preenche essas lacunas, e o narrador parece querer o foco na repetição, não nos detalhes do rapaz. Repare ainda na última ordem. Elias manda Acabe “aparelhar” o carro, isto é, atrelar os cavalos. Ele dá a ordem com a nuvem ainda do tamanho de uma mão. A chuva só cai no versículo 45, quando o rei já está em movimento. Tiago, irmão de Jesus, retoma a cena na carta que leva o nome dele. Em Tiago 5.17 e 5.18, lembra que Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, orou para não chover e orou outra vez, e o céu deu chuva. Tiago fala em três anos e seis meses de seca, e 1 Reis 18.1 diz que a palavra veio a Elias “no terceiro ano”. Os comentaristas explicam a diferença pela contagem: 1 Reis mede o tempo desde a ida de Elias a Sarepta, e Tiago mede a seca inteira.
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