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Corinto foi arrasada por tropas romanas em 146 a.C. e refundada por ordem de Júlio César em 44 a.C., povoada com libertos e veteranos. A cidade que recebeu a carta tinha menos de um século de existência. Isso explica parte do clima interno. Uma população de gente recém-chegada, sem linhagem antiga para exibir, costuma disputar posição por desempenho visível, e a comunidade cristã de lá importou esse hábito para dentro da reunião. Érasto, tesoureiro da cidade, aparece citado entre os cristãos de Corinto no fim da carta aos Romanos, e um bloco de pedra encontrado no local guarda uma inscrição que traz Erastus. Se as duas menções falam da mesma pessoa, historiadores seguem discutindo. «Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos.» 1 Coríntios 16.13, na tradução de João Ferreira de Almeida, 1681. O português de Almeida escolheu «varonilmente» e guardou a aspereza militar do grego. Traduções modernas que trocam a palavra por «sede corajosos» transferem a ordem para dentro do sentimento do leitor. O grego manda ocupar posto, e a coragem é consequência da ocupação, não requisito de entrada. A carta não informa se aquela rajada de quatro ordens resolveu a divisão da igreja de Corinto. Uma segunda carta, escrita depois, trata de um conflito entre Paulo e parte da comunidade, sem retomar o vocabulário do versículo 13. Outro ponto fica em aberto por falta de documento: quem eram os líderes dos partidos citados no primeiro capítulo. O texto nomeia as bandeiras que os grupos levantavam, e nunca registra os nomes de quem organizava cada facção. A informação que sobrevive à lacuna é o formato da instrução. Numa comunidade onde cada grupo cultivava a sua própria preferência, a ordem final foi de posição, não de opinião: fique de pé no lugar em que foi posto. Vale reparar no que o versículo não pede. Ele não manda vencer a discussão, nem provar que o seu partido tem razão, nem exibir resultado. Manda vigiar, permanecer, aguentar e receber força. Uma sentinela na muralha de uma cidade antiga não decidia a guerra. Ela ficava no ponto marcado, durante o turno marcado, e o valor do trabalho dela existia justamente nas horas em que nada acontecia. O seu posto provavelmente também é assim. Terças sem brilho, relatório que ninguém elogia, telefonema semanal para quem já não lembra do anterior, presença numa sala com pouca gente. "Qual posto você foi colocado para guardar, e o que a vontade de sair dele já custou a quem depende de você estar lá?" Hoje: escreva numa folha qual é o seu posto e uma ordem com dia e hora, uma linha cada, e programe o alarme de sete dias no celular, nas próximas 24 horas.
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